Dragon Age II
abril 19, 2011
O velho Hawke ficou uma década refugiado em Kirkwall, lá ele treinou e adquiriu poder e está pronto para se vingar. Você está preparado?

Plataformas: X360/PS3 | Desenvolvedora: BioWare | Editora: Electronic Arts | Gênero: RPG | Lançamento: 8/3/2011
Melhor: Histórias interessantes e boas ideias | Pior: Execução ruim e desenrolar repetitivo
Como um game da mesma empresa de “Mass Effect 2” e baseado na mesma engine consegue ser tão mediano? Talvez esse conceito de “mediano” seja o grande problema desta geração, desde o lançamento do Xbox 360. Temos visto na indústria, alguns games que não se sobressaem na estética, outros que não se destacam no conceito, enquanto outros ainda, como “Dragon Age II”, não acrescentam nada à jogabilidade.
A verdade é que pelo menos ele tenta compensar essa falha ao importar o esquema de liberdade narrativa implementada em “Mass Effect 2” – apesar de tudo ser muito mais linear aqui. Aliado à história empolgante que o título aborda – agradando principalmente aos fãs de RPG de mesa – este se torna seu único e verdadeiro triunfo. Porém, se este não é um fator tão importante para você, sobrarão poucos atrativos nesse título.
Primeiro e mais importante: o sistema de combate é desastroso. Trata-se de apenas uma reciclagem de “Mass Effect 2” em um mundo mítico e medieval. Mas, diferente da jornada sci-fi, a BioWare não mesclou ação e estratégia de forma funcional.
Isso gera momentos estressantes, na qual o jogador ao invés de se focar no combate contra o chefão gigante que deve derrotar tem que dar uma de babá e passar o tempo todo cuidando de sua equipe que nunca sabe como sobreviver aos ataques. Existe até um menu definindo o padrão de comportamento para cada um dos integrantes. Mas o esquema simplesmente não funciona direito. Parece até que foi uma medida aplicada de última hora

Se pelo menos os ambientes fossem mais variados ou tão instigantes quanto o enredo, a jogabilidade desengonçada poderia passar despercebida. Mas não há justificativa. Quando uma empresa se propõe a mostrar o mundo imenso que abriga a cidade de Kirkwall, é obrigatório expor o que há de tão fantástico nele. No entanto, o jogador fica submisso às mesmas cavernas e mesmas estradas sem interação alguma, por repetidas e cansativas vezes. Além disso, a qualidade gráfica é bem inconstante.
Por vezes, ficamos surpresos com a bela definição das grandes estátuas ornamentais na frente dos palácios ou os detalhes na vestimenta de algum oponente aleatório. Da mesma forma que não é possível entender como foram tão desleixados com texturizações muito mais importantes.
O piso arenoso, por exemplo, parece um carpete marrom que não é limpo há décadas, enquanto as rochas onipotentes, que deveriam aumentar a sensação de mundo vasto ao jogador, acabam trazendo à tona o sentimento de que se está jogando no PlayStation 2.
Outro erro foi querer prevalecer algumas boas ideias em cima da falta de capricho. Exemplo: a prepotência em acreditar que sujar os personagens no sangue dos inimigos durante os massacres é algo inovador, fazendo questão de mostrar a “novidade” em cada trailer e imagem divulgada. A questão é que exageraram tanto que mais parece que os personagens tomaram banho nas entranhas dos monstrengos. A “boa ideia” se tornou uma piada.

Um defeito de planejamento que refletiu na qualidade de toda a obra: a intenção em inovar foi tão grande, que os aspectos mais importantes ficaram em segundo plano. O esforço que se fez valer a pena foi o de David Gaider, autor do roteiro. Tudo o que abrange a parte narrativa está excelente, desde o enredo principal quanto os diálogos secundários. É muito recompensador bater um papo com os membros de seu grupo e outros NPCs durante sua odisséia.
Você se verá dando boas risadas e até se emocionando ao entrar em contato com os demais habitantes das regiões e poder escolher como você se expressará diante de certas situações mais tensas. Isso dá um clima de suspense que sai da tela e invade o coração daquele que estiver segurando o joystick.
Mas é aí que outra questão aparece: estamos jogando um game de RPG, e não “Heavy Rain”. Quando um “extra” chama mais a atenção do que a atração principal, é porque algo está errado.
“Dragon Age II” está longe de ser um game ruim, mas mais distante ainda está de ser comparável ao seu antecessor futurista. Na palestra que o presidente da Nintendo Satoru Iwata fez na GDC deste ano, ele disse que hoje não existe mais união na equipe de desenvolvimento, e por isso a boa qualidade têm se tornado cada vez mais rara nos videogames.
“Dragon Age II” é um exemplo perfeito disso, totalmente dividido em camadas: algumas legais, outras bem ruins.
Nota: 6,5